Minicurso 14 Lesbianidades Negras: Panorama histórico do movimento lésbico e as contribuições do corpo lésbico negro nos movimentos sociais

Sessão única: 17 de dezembro

Autores

  • Fernanda Gomes de Almeida (Coletiva Luana Barbosa)
  • Sulamita Jesus de Assunção (PUC-SP)

Palavras-chave:

lesbianidades, negras, movimentos sociais, feminismo lésbico, territórios

Resumo

Identificar-se enquanto negra lésbica é entender que sua identidade significa o enfrentamento de dois estigmas, a negritude e a lesbianidade. Ao assumir a sexualidade, o diálogo com a família pode ser o primeiro espaço de tensão, levando a uma relação conflituosa, pois mulheres são criadas para serem boas esposas e condutoras do lar, com sua imagem sendo construída a partir da heterossexualidade. As questões sociais relacionados a negras lésbicas também é um fenômeno atribuído aos estereótipos e signos corporais que atravessam o cotidiano da condição lésbica.
Invisibilidade, às vezes, parece esconder a dor de uma condição de inexistência social e afetiva. Qual lugar é ocupado no cotidiano de lésbicas negras? Com certeza não é na ceia de natal nem no seio da velha família tradicional.
Almeida (2008) traz uma reflexão sobre o peso que tais signos corporais trarão às negras lésbicas, em especifico as negras lésbicas que não reproduzem a feminilidade exigida por uma sociedade misógina, essas estarão mais expostas a serem alvos de opressões.

[...] para quem já vive a estigmatizarão racial, é mais difícil mostrar a identidade lésbica. O caminho inverso também é sugerido, porém de forma minoritária: quanto mais identidades estigmatizadas maior seria a disposição de assumi-las como base da luta por uma sociedade diferente (ALMEIDA, 2008, p. 242).

Sendo assim, esse minicurso se propõe a explicitar a trajetória do movimento lésbico e a importância das intervenções de lésbicas negras, que apresentaram estratégias de luta contra o racismo e o lesbocídio. E por fim, apresentar atuações de grupos e coletivas de lésbicas negras e suas atuações em seus territórios como forma de enfrentamento as violências cotidianas. “Como feministas negras e lésbicas, sabemos que temos por uma tarefa revolucionária bem definida e estamos prontas para uma vida de trabalho e luta” (COMBAHEE, 2019, p.207)


BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

ALMEIDA, G. E. S.; HEILBORN, Maria Luiza. Não somos mulheres gays: identidade lésbica na visão de ativistas brasileiras. Revista Gênero, Niterói, v. 9, n. 1, p. 225-249, 2. sem. 2008.

ASSUNÇÃO, Sulamita. Quebradas Feministas: Estratégias de resistência nas vozes das mulheres negras e lésbicas negras da periferia sul da cidade de São Paulo. 126 f. Dissertação (mestrado) em Ciências Sociais. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), 2018.

CLARKE, Cheryl. El lesbianismo: Un acto de resistência. In: MORAGA, Cherríe; CASTILLO, Ana (Ed.). Esta puente mi espalda: voces de mujeres tercermundistas en los Estados Unidos. San Francisco: Ism Press, 1988, p. 99-107.

COMBAHEE River. PLURAL, Revista do Programa de Pós ‑Graduação em Sociologia da USP, São Paulo, v.26.1, 2019, p.197‑207 disponível em: https://www.revistas.usp.br/plural/article/view/159864/154434. Acesso em: setembro 2020.

CURIEL, Ochy. Pensando o feminismo lesbiano: uma entrevista com Ochy Curiel. Instituto Humanos UNISINOS, 2008. Disponível em: http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/8717-pensando-o-lesbianismo-feminista-uma-entrevista-especial-com-ochy-curiel. Acesso em: maio 2018.

ESPINOSA MIÑOSO, Yuderkys. Cuatro hipótesis y disputas para pensar el movimiento de lesbianas en América Latina. Buenos Aires, 2006. Disponível em: https://www.caladona.org/grups/uploads/2010/09/cuatro-hipotesis-y-dos-disputas-para-pensar-el-mov-de-lesbianas-en-america-latina-yuderkys-espinosa.pdf. Acesso em: setembro 2020.

FALQUET, Jules. Romper o tabu da heterossexualidade: contribuições da lesbianidade como movimento social e teoria política, Cadernos de Crítica Feminista, ano VI, n. 5, p. 8-25, dez. 2012. Disponível em: https://julesfalquet.files.wordpress.com/2013/06/art-port-romper-o-tabu-da-heterosexualidade.pdf. Acesso em: setembro 2020.

GOMES. Fernanda. É bem mais fácil falar de amor, não de amores clandestinos. Revista Amazonas, São Paulo, ago. 2018. Disponível em: https://www.revistaamazonas.com/2018/08/29/e-bem-mais-facil-falar-de-amor-nao-de-amores-clandestinos/. Acesso em: setembro 2020.

PERES, Milena Cristina Carneiro; SOARES, Suane Felippe; DIAS, Maria Clara. Dossiê sobre lesbocídio no Brasil: de 2014 até 2017. Rio de Janeiro: Livros Ilimitados, 2018. 114 p.

 

LISTA DE INSCRITOS CONFIRMADOS

Amanda Rocha de Oliveira
Aline Luíza Moreira Pereira
Amanda Leticia Magro
Ana Clara Costa Amaral
Anna karoline Marques de Oliveira
Barbara Medina
Brenda Barbosa da Siva
Clarice Magalhães Heringer
Emilia de Fátima Miterofe Gonçalves
Francileide Araujo
Gilvanete Silva Moura
Jacqueline Andrade
Jéssica de Andrade
João Vitor Ribeiro Costa
Larissa de Mattos Fasolino dos Santos
Marcela de Castro Reis
Marcia Campos Eurico
Maria dos Passos Silva
Marina Werner da Silva Lindes
Nicole Aparecida Porta Nova
Roberta Pereira da Silva
Samara Stefanie Silva de Oliveira
Silvanira Araújo Moreira
Suzani Tavares Campos
Tais da Silva Costa
Vitória Lopes Trindade
Silvilene leão rocha
Ticiane Marcela Soares Queiroz

Biografia do Autor

Sulamita Jesus de Assunção (PUC-SP)

Psicóloga social, mestra em Ciências Sociais pela PUC-SP, Conselheira no CRP - Conselho Regional de Psicologia. Atua com a juventude, e, em ações feministas negras lésbicas e periféricas.

Publicado

2021-03-05

Lista

Seção

Minicurso