Histórico

Esta será a primeira edição do Simpósio Serviço Social e Relações Étnico-Raciais. Todavia, é possível dizer que já existe um histórico no que diz respeito às demandas de espaços para o debate e a sistematização de pesquisas científicas, difusão de conhecimento produzido, experiências sobre a temática étnico-racial e sua interface com o Serviço Social. Inúmeras pesquisas demonstram que é a população negra que se encontra na ponta da intervenção do Serviço Social. Uma relação que remonta à gênese da profissão, quando a população negra foi diluída na condição de “pobre”, “miserável” e objeto de caridade. A categoria se viu sob o manto do mito da democracia racial, ideologia responsável por propagar a ideia de uma escravidão branda e de uma convivência pacífica entre os povos, não havendo, portanto, um “problema negro”, como se reconhecia existir em outros países.

Passados mais de oitenta anos de surgimento da profissão, muita coisa mudou, em especial com a entrada massiva de estudantes negros/as no Ensino Superior, que insistem em conhecer uma outra história que faça emergir personagens que foram apagados/as da formação social brasileira. Impulsionados pela chegada de docentes negros/as pesquisadores/as do assunto, aos poucos, novos estudos reforçam que o modo de produção capitalista foi beneficiário do escravismo e amparou as bases da opressão racial, possibilitando que esta se mantenha e, num movimento circular, continue a sustentar a reprodução do capital.

A proposta deste Simpósio se insere no campo destas crescentes inquietações teórico-metodológicas, que ganharam fôlego com as contribuições de intelectuais negros/as, cuja parte significativa é docente do Serviço Social, e já produziram inúmeras pesquisas que problematizam a naturalização de uma formação acadêmica que reproduz a brancura capitalista e patriarcal como modelo, que apaga a contribuição dos povos africanos e indígenas na construção da cultura da brasileira e de todas as américas.